Quando era criança não entendia o ódio dos alemães. Claro que ouvia as historias dos campos. Me lembro muito bem. Tinha medo deles. Não ia a fazenda do tio Carlos por isso.
Meu temor não era a fazenda, e sim os campos de cebola.
Alias tio Carlos, não era meu tio. Todos os parentes do meu pai dessapereceram em campos que eu acreditava ser igual aos de cebola. Foi la que eles se conheceram.
Os campos em si também não me metiam medo. Amo purê de cebola. O que me arrepiava eram os monstros que viviam neles. Seres terríveis. Pele clara como a nossa, pelos amarelos e apesar da mina mãe sempre repetir que eram em muito parecidos conosco. Sempre os imaginava com 6 olhos azuis.
Não eram só meus pais que não gostavam dos "alemães"todos os meus tios, primos e amigos também dedicavam a eles sentimentos horríveis. Apesar do meu primos amigos nunca ter visto um deles com aquela idade.
Uma vez perguntei ao primo que era 5 anos mais velho, porque ele os odiava tanto. Me respondeu:
- Ora. Você nunca ouviu falar dos campos?
- Sim mas...
- Mas o que? Isso não e o suficiente?
- Você não os viu, talvez ele tenham mudado.
Foi quando ele se abaixou para ficar a minha altura. Não ajoelhou. apenas curvou seus centímetros a mais e falou olhando nos meus olhos.
- Eles não mudam Absalom. Pessoa mudam, eles não. Chega desse assunto - Disse ele levantando a voz e acertando a postura -Pare de pensar nisso se você não entende.
Acredito que entendia mais que ele.
Daquela curta conversa em diante decidi que não iria odiar, ninguém sem conhecer antes. Nem mesmo os arianos.
Não sou judia então talvez tenha me equivocado um pouco;
talvez não;
talvez o ódio criado para os alemães tenha desaparecido em muitos pontos.
Como meu pai provou o contrario no jogo AlemanhaXArgentina, torcendo para os hermanos, escrevi esse texto.
Foda-se
Se quiser comentar faça isso direito. Uma amiga disse o seguinte depois de ler
"Purê de cebola e bom nê?" Ô.Ô
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